Apple Watch com a tela descolando: é bateria estufada
Tela levantando na borda do relógio quase nunca é cola vencida. É a bateria inchada empurrando o display por dentro, e o quadro só piora com o tempo.
Se a tela do seu Apple Watch está levantando em algum ponto da borda, ou se apareceu uma fresta entre o vidro e a caixa, a causa quase nunca é a que as pessoas imaginam. Não é cola que soltou. É a bateria inchada empurrando o display de dentro para fora.
E no relógio isso é mais sério do que no iPhone, por um motivo simples: não há espaço sobrando lá dentro.
Por que acontece
Bateria de íon de lítio, ao envelhecer ou ao ser exposta a calor e a ciclos demais, pode gerar gás internamente. A célula incha. Num aparelho com folga, ela empurra a tampa. No Apple Watch, cuja montagem é das mais apertadas que existem, ela empurra a única coisa que cede: o display.
Por isso o sintoma clássico é a tela subindo em um canto, em vez de a caixa deformar.
Os sinais, do mais sutil ao mais claro
Fresta na borda. Passe a unha devagar pela junção entre o vidro e a caixa. Se em algum ponto ela entra, o display já começou a subir.
Sujeira acumulando na junção. Se está entrando sujeira onde antes era vedado, existe uma abertura.
O relógio não encosta reto no pulso ou parece diferente ao toque.
Toque falhando na região que levantou. Quando o display perde contato, o touch falha ali.
Autonomia caiu muito nas últimas semanas. Bateria que incha normalmente já está degradada.
Vidro solto ou deslocado. Nesse ponto o aparelho está aberto e não deve mais ser usado nem carregado.
O que fazer agora
Pare de carregar. Carregar uma célula inchada acelera o processo e aumenta o risco.
Não pressione a tela de volta. É a reação natural e é o pior movimento possível: pressionar uma célula inflada pode perfurá-la.
Não use o relógio na água. A vedação já era. Banho, piscina e chuva agora significam líquido lá dentro.
Tire do pulso se o vidro estiver visivelmente solto. Célula de lítio danificada em contato com a pele não é risco que valha correr.
Leve para avaliação. Quanto antes, mais barato, e é literalmente verdade neste caso.
Por que a pressa muda o preço
Este é o ponto que mais faz diferença no bolso.
Enquanto o problema é só a bateria inchada, o reparo é troca de bateria. Se o display for pressionado por mais tempo, ele trinca ou perde funcionamento, e o reparo vira troca de bateria mais troca de tela. Em casos avançados, a pressão atinge a placa, e aí entra reparo de placa também.
Um mesmo problema, três custos muito diferentes, separados por semanas de espera.
Por que não é reparo de casa
O Apple Watch é o aparelho Apple com a montagem mais apertada da linha. Os flexes que conectam o display são curtos e finos, e a abertura exige aquecimento controlado com o display erguido num ângulo específico. Abrir de qualquer jeito rompe o conector, e aí a troca de bateria vira troca de tela.
Somado a isso, a célula já está comprometida. Ferramenta entrando no lugar errado perfura uma bateria que já está instável.
A vedação depois do reparo
Vale saber antes: a vedação é refeita na montagem, mas nenhum reparo devolve a certificação original de fábrica. Depois de qualquer abertura, o correto é tratar o relógio como não resistente à água.
Uma assistência séria diz isso antes, não depois.
Como reduzir a chance de acontecer de novo
- Evite carregar em local quente ou embaixo de tecido.
- Não deixe no carro sob sol.
- Se o relógio é reserva e fica guardado, guarde com carga por volta de 50%, não zerado nem cheio.
- Repare em queda de autonomia: é o aviso que vem antes do inchaço.
Vale a pena consertar?
Depende da geração e do estado. Em relógios de gerações antigas, o valor do reparo às vezes se aproxima do valor de um usado em bom estado. Em modelos mais recentes, a troca de bateria costuma compensar com folga.
A BR4 avalia e mostra a conta. Está detalhado em conserto de Apple Watch em Moema.
Manda a geração e o tamanho da caixa pelo WhatsApp que a equipe já confirma a disponibilidade de peça. A loja fica na Alameda dos Jurupis, 1453, em Moema.