BR4
Ilustração do artigo sobre segurança da BR4, assistência Apple em Moema

Como não comprar um iPhone roubado

Consulta gratuita de IMEI na Anatel, verificação do iCloud na frente do vendedor e os sinais que aparecem antes do pagamento. Um roteiro curto que evita prejuízo grande.

Comprar iPhone usado é uma boa forma de economizar, e em São Paulo, onde foram registrados mais de 129 mil roubos de celular em 2024, também é uma forma de comprar problema sem perceber.

A boa notícia é que dá para verificar quase tudo antes de pagar, de graça, em menos de dez minutos.

1. Consulte o IMEI na Anatel, antes de tudo

A Anatel mantém o programa Celular Legal, que permite consultar gratuitamente se um IMEI está em base de bloqueio por roubo, perda ou irregularidade.

Como fazer: peça o IMEI ao vendedor, ou digite *#06# no teclado do aparelho para ele aparecer na tela. São 15 dígitos. Consulte em gov.br/anatel/pt-br/assuntos/celular-legal.

Se o IMEI aparecer em base de bloqueio, encerre a conversa ali. Aparelho com IMEI bloqueado não autentica na rede de nenhuma operadora: fica sem sinal, sem ligação, sem SMS e sem internet móvel.

Uma ressalva honesta: a consulta é um filtro excelente, não uma garantia. Um roubo recente pode ainda não ter sido registrado. Por isso ela é o passo um, não o passo único.

2. Confirme a remoção do iCloud na sua frente

Este é o teste que mais evita prejuízo, e é inegociável.

Peça ao vendedor para apagar o aparelho na sua frente, em Ajustes › Geral › Transferir ou Redefinir › Apagar Conteúdo e Ajustes. Ele vai precisar digitar a senha da conta dele, o que já é uma confirmação de que ele tem acesso legítimo.

Depois, acompanhe a inicialização. O aparelho tem que chegar à tela de “Olá” e permitir avançar na configuração sem pedir senha de nenhuma conta. Se em algum momento aparecer uma tela pedindo o Apple Account de outra pessoa, o Bloqueio de Ativação está ativo.

Aparelho nessa condição não tem solução técnica. Só o dono da conta remove, e nenhuma assistência do mundo faz isso. Está explicado em bloqueio de ativação do iCloud.

Não aceite “eu removo depois”, “mando o código no WhatsApp” ou qualquer variação. Depois do pagamento, você perdeu a alavanca.

3. Confira o número de série

Em Ajustes › Geral › Sobre, veja o número de série. Consulte em checkcoverage.apple.com e verifique se ele corresponde a um aparelho real e se o modelo bate com o que está sendo anunciado.

Divergência entre o que o site da Apple diz e o que o vendedor descreveu é sinal de alerta imediato.

4. Os sinais que aparecem antes do pagamento

Nenhum destes prova nada sozinho. Vários juntos formam um quadro:

Preço muito abaixo do mercado. É o sinal mais confiável de todos. Ninguém vende barato demais sem motivo, e o motivo raramente é generosidade.

Pressa para fechar. Insistência em concluir rápido, encontrar em local incomum ou fora de horário comercial.

Sem caixa, sem nota, sem nada. Não ter a caixa é comum em aparelho antigo. Não ter absolutamente nenhum comprovante, nem nota, nem histórico de compra, pesa.

Recusa em encontrar em local público. Vendedor legítimo não tem problema em encontrar num shopping ou numa loja.

Recusa em deixar você testar com calma. Dez minutos com o aparelho na mão é pedido razoável.

Conta do iCloud “esquecida”. É a desculpa clássica. Vendedor que realmente é dono acessa a conta dele em segundos.

5. Encontre em lugar seguro

Marque em local público, movimentado e com câmera. Shopping é a escolha óbvia.

Evite fechar negócio na rua, à noite ou em endereço residencial que você não conhece. E leve alguém, se puder.

6. Peça comprovante da transação

Mesmo em compra entre pessoas, um recibo simples com nome completo, CPF, modelo, IMEI, valor e data protege você. Fotografe o documento do vendedor com a autorização dele.

Se o aparelho aparecer depois como roubado, esse papel é a diferença entre ser vítima de estelionato, com direitos, e não ter nada nas mãos.

O que fazer se descobrir depois

Se você comprou de boa-fé e depois descobriu que o aparelho é produto de roubo:

  1. Registre boletim de ocorrência. Dá para fazer online na Delegacia Eletrônica da Polícia Civil de São Paulo. Você é vítima de estelionato.
  2. Guarde tudo: conversa com o vendedor, comprovante de pagamento, anúncio.
  3. Não tente revender. Repassar aparelho de origem ilícita, sabendo disso, tem consequência legal.

Depois da compra, cheque a condição do aparelho

Origem confirmada é metade do trabalho. A outra metade é saber em que estado o aparelho está: se já teve peça trocada, qual a saúde da bateria e se o True Tone e o Face ID funcionam.

Esse roteiro está em como saber se um iPhone já teve peça trocada.

E se você comprou usado e quer uma avaliação técnica antes de confiar no aparelho, a BR4 fica na Alameda dos Jurupis, 1453, em Moema. Manda o modelo pelo WhatsApp.

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