BR4
Ilustração do artigo sobre segurança da BR4, assistência Apple em Moema

Aparelho corporativo em reparo: o que alinhar antes de mandar

Quando o celular da empresa vai para a assistência, o dado dentro dele vai junto. Em setor regulado isso é decisão de contrato, não de balcão. O que precisa estar acordado antes do primeiro envio.

O aparelho da empresa quebrou. Alguém do TI coloca numa caixa, chama o motoboy e resolve o problema do dia. E, junto com o aparelho, sai da empresa tudo que estava dentro dele: email corporativo, arquivo em cache, acesso salvo, e em setor regulado às vezes prontuário ou dado financeiro.

Na maioria das empresas isso nunca foi discutido. Vira assunto no primeiro incidente, que é o pior momento possível para discutir.

O ponto que muda tudo: a empresa continua responsável

Sob a LGPD, quem decide o que fazer com o dado é o controlador, e quem trata o dado por conta dele é o operador. Uma assistência técnica que recebe aparelho com dado pessoal dentro costuma se enquadrar como operador.

O que isso significa na prática: a responsabilidade não é transferida junto com o aparelho. A empresa continua respondendo pelo dado, e por isso precisa saber e documentar o que acontece com ele fora dos seus muros.

Como cada caso tem enquadramento próprio, essa definição é assunto para o jurídico da empresa. O que este texto cobre é o que precisa estar sobre a mesa quando essa conversa acontecer.

As sete perguntas que decidem

1. O aparelho precisa ser desbloqueado?

Boa parte dos reparos precisa do aparelho desbloqueado para testar o resultado. Tela trocada sem teste de toque, Face ID e câmera é tela entregue no escuro.

Isso significa senha, e senha significa acesso. Defina antes se o aparelho vai com senha, se vai com uma senha temporária criada para o reparo, ou se o teste será feito de outra forma, com o que isso limita.

2. O que sai da empresa: o aparelho ou o dado?

Existe caminho para separar os dois, e ele é subaproveitado.

Se a frota é gerenciada, dá para fazer backup, apagar remotamente e enviar o aparelho limpo. Depois do reparo, ele volta e é reprovisionado. Custa uma etapa de TI e elimina a discussão inteira.

Não serve para todo caso: aparelho que não liga não aceita apagamento remoto. Mas serve para a maioria dos reparos de tela, bateria e conector, que é onde está o volume.

3. Quem toca no aparelho, do portão até a bancada

Cadeia de custódia é o que a auditoria vai pedir. Quem retira na empresa, quem transporta, quem recebe, quem abre, onde ele fica enquanto espera peça.

Não precisa ser complexo. Precisa ser conhecido e escrito.

4. O que fica registrado por aparelho

Número de série ou IMEI, data de saída, data de retorno, o que foi feito. É o mínimo para a empresa conseguir provar depois onde o aparelho esteve e o que aconteceu com ele.

Sem isso, cada reparo vira um buraco na trilha de auditoria.

5. O que acontece com a peça que sai do aparelho

Essa é a que quase ninguém pergunta e é a mais delicada.

Placa lógica de iPhone carrega a memória. Um aparelho condenado que teve a placa trocada deixou a memória com alguém, e ela não é um pedaço de plástico qualquer.

Defina o destino: devolvida à empresa, destruída com registro, ou retida. Qualquer uma serve, desde que esteja combinada.

6. Quem tem acesso e sob qual compromisso

Termo de confidencialidade assinado pela empresa prestadora é o padrão em contrato corporativo. Vale definir se ele cobre a equipe técnica individualmente ou só a pessoa jurídica.

7. O que acontece se o aparelho não voltar a funcionar

Reparo de placa e caso de contato com líquido nem sempre terminam com o aparelho de volta. Combine antes o que acontece nesse cenário: o aparelho volta como está, os dados são recuperados se possível, e o que fazer com o que sobrou.

O que fazer antes de cada envio, do lado da empresa

Independente do que estiver em contrato, três coisas reduzem o problema pela metade e dependem só de você.

Backup antes de sair. Aparelho que vai para reparo pode não voltar, e o dado que não foi copiado é o que se perde. Vale para reparo simples também.

Tirar a conta do aparelho quando for possível. Sair do iCloud antes do envio evita que o Bloqueio de Ativação trave o próprio reparo, e reduz o que está acessível. Não dá para fazer em aparelho que não liga, mas na maioria dos casos dá.

Anotar o número de série antes. Parece óbvio e é o item que mais falta quando alguém precisa reconstruir o histórico meses depois.

Por que isso vale a conversa

Nenhuma dessas sete perguntas é difícil. Todas são fáceis de responder no início da relação e desconfortáveis de responder depois de um incidente.

Empresa de setor regulado já sabe disso e costuma trazer o assunto na primeira reunião. Quando não traz, quase sempre é porque ninguém do TI parou para pensar que a assistência técnica é um fornecedor que trata dado, e não um serviço de conserto qualquer.

A BR4 atende empresas desde 2009, com nota fiscal, contrato de prestação de serviço, prazo acordado e coleta dos aparelhos no escritório. O que cabe a cada relação em termos de tratamento de dado é definido em contrato, e é uma conversa que vale ter na abertura da conta. Veja como funciona o atendimento corporativo.

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